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Lisboa — O tom suave da voz em nada diminuiu a contundência do primeiro discurso do papa Francisco em Portugal, onde desembarcou nesta quarta-feira (2/8) para participar da Jornada Mundial da Juventude. Além de cobrar um movimento pela paz na Europa, com o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o pontífice criticou o populismo que avança pelo mundo, o aborto, a eutanásia, as crises migratórias, a falta de disposição das famílias em ter filhos, o desemprego e o descompromisso da sociedade com o meio ambiente, em especial, com os oceanos.
Para Francisco, Portugal deve liderar um movimento que leve ao cessar-fogo na Ucrânia. Ele citou o acordo assinado em Lisboa em 2007, que reformou a União Europeia e ressalta que “a união entre os países tem por objetivo promover a paz, os seus valores e o bem-estar de seus povos”. Na avaliação do chefe da Igreja católica, o mundo precisa da Europa, “mas da Europa verdadeira, construtora de pontes de pacificação no Leste Europeu, no Mediterrâneo, na África e no Oriente Médio”. O momento, acrescentou, é da busca por uma diplomacia da paz, que extinga os conflitos e acalme as tensões.
Usando o oceano como elemento de ligação de suas palavras, o papa disse que o mundo está navegando por um momento tempestuoso, no qual “sente-se a falta de rotas corajosas da paz”. E questionou: “Europa, para onde navegas, se não ofereces percursos para a paz, vias inovadoras para acabar com a guerra na Ucrânia e com tantos conflitos que ensanguentam o mundo?”. Em vez de buscar a paz, ressaltou Francisco, a Europa e o Ocidente estão mais preocupadas com a produção e a venda de armas, do que com a construção de um futuro com mais educação, um sistema de saúde mais justo e uma sociedade menos desigual.
Ao lado do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, católico fervoroso, Francisco voltou a criticar a decisão do Parlamento português de aprovar a eutanásia no país. Ele já havia feito isso três meses atrás. “No mundo evoluído de hoje, paradoxalmente, tornou-se prioritário defender a vida humana, posta em risco por derivas utilitaristas que a usam e a descartam. No entender do pontífice, Portugal e outros países decidiram por descartar seus idosos, oferecendo a eles “remédios rápidos e errados, como o fácil acesso à morte, solução cômoda que parece doce, mas, na realidade, é mais amarga que as águas do mar”.
Sobre o aborto, o papa disse ficar pensando nas crianças não-nascidas. Ressaltou, ainda, a preocupação diante da opção de muitos casais de não quererem ter filhos. “O futuro são os jovens, mas muitos fatores os desanimam, como a falta de trabalho, os ritmos frenéticos em que se veem imersos, o aumento do custo de vida, a dificuldade em encontrar uma casa”, listou. “Há o medo de se constituir famílias e de trazer filhos ao mundo”, emendou, lembrando que a Europa e o Ocidente assistem à triste fase descendente da curva demográfica. “O progresso parece ser uma questão que diz respeito ao desenvolvimento técnico e ao conforto dos indivíduos, enquanto o futuro pede para se contrariar a queda da natalidade e o declínio da vontade de viver.”