08 de Março de 2026

Paracetamol é associado a diversas complicações de saúde para idosos


Isento de receita médica, de baixo custo e ação rápida, o paracetamol pode parecer uma opção atraente para pacientes de dores crônicas, mas pessoas com mais de 65 anos devem evitar o uso contínuo do medicamento. Um estudo da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, com 180.483 usuários da droga, também conhecida como acetaminofeno, concluiu que doses repetidas do comprimido estão associadas a um risco elevado de complicações gastrointestinais, cardiovasculares e renais.

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Publicado na revista Arthritis Care and Research, o estudo ressalta que é preciso ter cuidado com doses repetidas do medicamento no manejo de condições dolorosas crônicas em idosos, como a osteoartrite. Embora seguro, o uso do paracetamol deve ser momentâneo, mas, segundo os autores da pesquisa, há, entre os usuários, uma sensação de que podem utilizá-lo continuamente, sem riscos. 

"Por ser percebido como seguro, o paracetamol tem sido recomendado há muito tempo como o tratamento medicamentoso de primeira linha para osteoartrite por muitas diretrizes, especialmente em idosos, que correm maior risco de complicações relacionadas a medicamentos", destaca Weiya Zhang, professor da Escola de Medicina da Universidade de Nottingham. Por isso, o pesquisador decidiu investigar a segurança da droga, usando dados de pessoas com mais de 65 anos que se consultaram no Reino Unido entre 1998 e 2018. 

Foram avaliadas as informações de saúde de 180.483 pessoas que receberam prescrição de paracetamol repetidamente (mais de duas vezes em seis meses) durante o estudo. Os dados foram comparados aos de 402.478 pacientes da mesma idade que nunca usou esse medicamento com frequência. 

As descobertas mostraram que o uso prolongado de paracetamol foi associado a um risco aumentado de úlceras pépticas, insuficiência cardíaca, hipertensão e doença renal crônica. "Esses resultados são consistentes com estudos observacionais anteriores que relataram uma associação entre a ingestão de paracetamol e o risco de complicações gastrointestinais e hipertensão", observa. Embora nem a pesquisa atual, nem as prévias tenham investigado a relação de causa e efeito por trás das descobertas, Zhang explica que há algumas pistas. "Um estudo experimental mostrou que o paracetamol inibe a produção de enzimas chamadas COX, o que poderia ter um mecanismo para explicar o sangramento gastrointestinal associado à sua prescrição", observa. 

O ortopedista Fernando Jorge, especialista em intervenção em dor e em medicina intervencionista em dor, explica que o paracetamol pode ser nefrotóxico — na composição da droga, há toxinas que são direcionadas aos rins antes de serem dissipadas pelo organismo. "Quando as substâncias estão em níveis elevados, isso pode desencadear problemas renais", diz. 

O especialista esclarece que muitas das dores crônicas podem ser melhoradas com estratégias não medicamentosas, como a terapia de luzes e a fisioterapia. "Em todos os casos, é fundamental uma indicação médica para definir a conduta. O que muitas vezes ocorre, no entanto, é a busca pela automedicação com o paracetamol, por exemplo, o que promoverá alívio passageiro. Quando o efeito findar, o paciente repete a dose e assim sucessivamente. No entanto, já está bem estabelecido que isso pode causar danos renais", alerta. 

Segundo Fernando Jorge, os dados do estudo levantam um questionamento se o paracetamol deveria ser mantido como analgésico oral de primeira linha para o tratamento da osteoartrite.  "Um estudo no qual a prescrição de paracetamol é modelada como uma exposição variável no tempo deve ser realizado para confirmar essas descobertas", diz; "De qualquer maneira, o mais prudente é buscar auxílio médico especializado, pois a prescrição de um medicamento sempre é feita com base na relação entre benefício e risco ao paciente. E isso o médico avaliará sempre."

O pesquisador Weiya Zhang, da Escola de Medicina da Universidade de Nottingham e principal autor do estudo, concorda com o ortopedista. "Embora mais pesquisas sejam necessárias agora para confirmar nossas descobertas, dado seu efeito mínimo de alívio da dor, o uso de paracetamol como analgésico de primeira linha para condições de longo prazo, como osteoartrite em idosos, precisa ser cuidadosamente considerado."


 

Paulo Henrique Araújo - ortopedista da Clínica MEO - Medicina Esportiva e Ortopedia, em Brasília
Paulo Henrique Araújo - ortopedista da Clínica MEO - Medicina Esportiva e Ortopedia, em Brasília (foto: Arquivo pessoal )

 

Fonte: correiobraziliense

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