O movimento também afetou os juros futuros, que passaram a subir em praticamente toda a curva, especialmente nas taxas de curto prazo, pressionadas ainda pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, divulgado nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A inflação oficial do mês foi de 0,24%, levemente abaixo da taxa de maio (0,26%), mas ainda acima da mediana das expectativas do mercado (0,20%). Em 12 meses, o índice acumula alta de 5,35%, dentro do intervalo esperado, mas ainda acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central.
Para o economista-chefe da Valor Investimentos, Ian Lopes, a resposta dos mercados foi imediata e negativa. “Os mercados estão reagindo bem mal a essa tarifa de 50% que saiu ontem no final da tarde. O dólar já passou da casa dos R$ 5,50, o que mostra uma reação de estresse”, afirma. “Apesar de a tarifa não fazer muito sentido do ponto de vista econômico — já que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil —, ela tem um claro caráter político.”
O governo brasileiro ainda não detalhou quais produtos ou setores seriam alvo de retaliação, mas fontes no Ministério das Relações Exteriores indicam que a medida será proporcional e respeitará as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Especialistas avaliam que o endurecimento nas relações entre Brasília e Washington reflete uma guinada protecionista dos Estados Unidos. Analistas alertam que, se a tensão evoluir para uma guerra comercial, os impactos podem ser duradouros e atingir setores estratégicos da economia brasileira, como agronegócio, siderurgia e manufatura.
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