08 de Março de 2026

Medicamento impede avanços dos efeitos do AVC


Um grupo de pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, desenvolveu um medicamento capaz de inibir uma proteína envolvida na morte celular, impedindo que o acidente vascular cerebral (AVC) agudo cause danos significativos. Com essa fórmula, os cientistas acreditam ser possível prevenir a destruição dos neurônios no cérebro. A medicação é baseada na proteína multifuncional GAPDH (gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase) e está associada à patogênese de muitas doenças cerebrais intratáveis e do sistema nervoso. Os resultados do estudo foram publicados na revista iScience. Médicos ouvidos pelo Correio estão confiantes no avanço do estudo que, por enquanto, foi testado em camundongos.

A equipe japonesa desenvolveu o GAI-17, um inibidor da agregação de GAPDH. Quando este inibidor foi administrado em camundongos modelo com AVC agudo, seis horas após o acidente, houve um nível significativamente menor de morte e paralisia de células cerebrais em comparação com camundongos não tratados. O GAI-17 também não apresentou efeitos colaterais preocupantes, como efeitos adversos no coração ou no sistema cerebrovascular.

Para Eduardo Waihrich, PhD, neurocirurgião vascular e head da neurocirurgia vascular na rede Kora Brasília e no hospital Sírio Libanês em Brasília, as perspectivas são positivas. "O estudo ainda está em fase com animais e precisamos iniciar, de forma bem segura, a reposta em seres humanos. Tudo parece muito promissor, estamos otimistas com a mediação, mas ainda há muito a fazer para colocarmos a medicação de forma segura em nossa prática."

Os experimentos com GAI-17 mostraram melhoras nos camundongos, mesmo quando administrado seis horas após o AVC. "Espera-se que o inibidor de agregação de GAPDH que desenvolvemos seja um único medicamento capaz de tratar muitas doenças neurológicas intratáveis, incluindo a doença de Alzheimer", afirmou o professor Hidemitsu Nakajima, da Escola de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da Universidade Metropolitana de Osaka, que liderou a pesquisa. "No futuro, verificaremos a eficácia dessa abordagem em modelos de doenças além do AVC e promoveremos mais pesquisas práticas em direção à construção de uma sociedade saudável e longeva."

 Com ampla experiência no tratamento de pacientes com AVC, Siane Prado, coordenadora da equipe de neurologia do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas, disse que o desafio é obter resultados também com seres humanos. "O principal desafio é a transposição dos achados do modelo animal para seres humanos, que envolve múltiplas etapas: estudos de toxicidade, farmacocinética, biodisponibilidade, interação com outros fármacos, e claro, eficácia clínica em diferentes perfis de pacientes. É necessário confirmar que o GAI-17 consegue atravessar a barreira hematoencefálica com segurança e atingir níveis terapêuticos no tecido cerebral humano. O histórico da neuroproteção no AVC é repleto de tentativas promissoras que falharam em fases clínicas, por isso é essencial que esses próximos passos sejam conduzidos com rigor científico e validação multicêntrica."

Para Waihrich, os testes com humanos também serão promissores. "Fico muito feliz com publicações geniais e sérias com essa. Um frescor de esperança na luta contra o AVC", ressaltou. Para Siane Prado, as perspectivas são uma luz nos tratamentos, abrindo possibilidades de ampliar as alterantivas oferecidas.

"A ideia de atuar diretamente na cascata de morte celular, e não apenas na reperfusão, abre uma nova frente terapêutica no AVC — especialmente para pacientes que chegam fora da janela para trombólise ou trombectomia. Os resultados mostram efeito neuroprotetor mesmo com administração tardia (até 6 horas após o AVC), o que pode ter grande impacto em contextos onde o acesso rápido ao sistema de saúde ainda é limitado", disse.

O senhor vê com otimismo essa pesquisa sobre o inibidor de agregação de proteínas que mostra níveis mais baixos de morte celular e paralisia em camundongos com AVC agudo?

Atualmente, a principal ferramenta para tratamento do AVC isquêmico na fase aguda são as terapias reperfusionais, ou seja, reestabelecer o fluxo sanguíneo na artéria ocluida o mais rápidos possível até um determinado limite tempo. Muitas vezes, há casos que conseguimos realizar o atendimento em intervalo ótimo, com uma excelente taxa de reperfusão e mesmo assim não temos uma adequada resposta neurológica, com uma área de lesão cerebral significativa. Definitivamente, novos fármacos que possam auxiliar o resultado final de nossas intervenções atuais, seja diminuindo a área cerebral lesionada definitivamente ou mantendo mais áreas cerebrais passíveis de recuperação pós reperfusão seriam de auxílio monumental para o bom resultados a esses pacientes.

Quando o senhor se depara com pesquisas assim, qual sua primeira reação?

Sempre defendi que não se faz medicina de vanguarda se não estiver em conjunto trabalhando com a ciência médica, por isso, além de minha formação cirúrgica, realizei minha formação acadêmica completa (mestrado e doutorado). Não vejo como possamos dar os próximos passos no cuidado dos pacientes e melhorar os resultados de nossas intervenções sem a pesquisa científica médica de ponta. Estudos como esse abrem a janela de que, num período de curto e médio prazo, possamos otimizar sobremaneira os resultados de terapêuticas que estamos fazendo agora.

 

 

 

O senhor vê com otimismo essa pesquisa sobre o inibidor de agregação de proteínas mostra níveis mais baixos de morte celular e paralisia em camundongos com AVC agudo?

Atualmente, a principal ferramenta para tratamento do AVC isquêmico na fase aguda são as terapias reperfusionais, ou seja, reestabelecer o fluxo sanguíneo na artéria ocluida o mais rápidos possível até um determinado limite tempo. Muitas vezes, há casos que conseguimos realizar o atendimento em intervalo ótimo, com uma excelente taxa de reperfusão e mesmo assim não temos uma adequada resposta neurológica, com uma área de lesão cerebral significativa. Definitivamente, novos fármacos que possam auxiliar o resultado final de nossas intervenções atuais, seja diminuindo a área cerebral lesionada definitivamente ou mantendo mais áreas cerebrais passíveis de recuperação pós reperfusão seriam de auxílio monumental para o bom resultados a esses pacientes.

Quando o senhor se depara com pesquisas assim, qual sua primeira reação?

Sempre defendi que não se faz medicina de vanguarda se não estiver em conjunto trabalhando com a ciência médica, por isso, além de minha formação cirúrgica, realizei minha formação acadêmica completa (mestrado e doutorado). Não vejo como possamos dar os próximos passos no cuidado dos pacientes e melhorar os resultados de nossas intervenções sem a pesquisa científica médica de ponta. Estudos como esse abrem a janela de que, num período de curto e médio prazo, possamos otimizar sobremaneira os resultados de terapêuticas que estamos fazendo agora.

Fonte: correiobraziliense

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