O governo de Mato Grosso do Sul manifestou preocupação com os impactos imediatos da tarifa de 50% na importação de produtos brasileiros para os Estados Unidos, que deve ser aplicada a partir de 1º de agosto. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Jaime Verruck, o "tarifaço" compromete diretamente a cadeia produtiva da carne bovina, setor responsável por mais da metade das exportações sul-mato-grossenses para o mercado norte-americano.
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"Essa taxa representa uma compressão de margem fundamental e uma queda substancial nas exportações. Já não conseguiremos manter os embarques aos EUA com esse valor", afirmou Verruck, em entrevista ao Correio. Atualmente, os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações do estado, atrás apenas da China, respondendo por cerca de 7% do total. No caso da carne bovina, 15% do volume exportado vai para o mercado norte-americano.
O secretário explicou que a carne bovina já era submetida a um regime de cotas nos EUA. Acima de 65 mil toneladas, havia uma taxação de 26,4%. Com o novo imposto, a alíquota poderá chegar a 76,4%, o que, na prática, inviabiliza o comércio com os frigoríficos do MS. "A indústria já começou a estocar carne que não será mais enviada para os Estados Unidos. Com isso, os abates foram suspensos para esse mercado", completou.
Há um alerta ainda para os desdobramentos em cadeia: estoques elevados, possível queda no preço do consumidor e no valor pago ao produtor rural, além de dificuldades para redirecionar a produção a outros mercados. "Não é simples realocar essa carne. Fala-se em Chile, Egito, mas não se abre mercado do dia para a noite", disse.
Apesar do cenário desfavorável, o secretário afirmou que a recente certificação do MS como área livre de febre aftosa sem vacinação pode abrir portas em outras regiões do mundo. Ainda assim, ele reforça que a prioridade é manter o acesso ao mercado norte-americano.
Fonte: correiobraziliense
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