07 de Março de 2026

Projeto propõe a contratação de engenheiros com mais de 60 anos 


Diante do cenário de escassez de engenheiros no mercado brasileiro e de valorização de profissionais experientes, graduados em engenharia na Universidade de São Paulo (USP) e no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) lançam nesta sexta-feira (22) o InovaSenior, projeto que propõe a volta de engenheiros com idade a partir de 60 anos ao mercado de trabalho. 

A estratégia do projeto, que inicialmente conta com 200 engenheiros da USP e do ITA, é usar tecnologia como ponte para reconectar profissionais experientes ao mercado por meio de plataforma digital com inteligência artificial, governança ambiental, social e corporativa. O sistema aproximará engenheiros de empresas, startups e instituições que necessitam de experiência e visão estratégica.

"Seniores são hoje uma reserva de competência e qualificação técnica que nos possibilitará crescer enquanto enfrentamos o desafio de melhorar nossa educação para suprir as necessidades de nossas empresas e negócios", explicou Ricardo Pessoa, um dos coordenadores do InovaSenior e engenheiro eletricista de 65 anos.

Os "desafios" comentados por Ricardo comentam o fato de o mercado de engenharia carecer de mão de obra qualificada.

Na avaliação de Roberto Thiell, engenheiro aeronáutico de 59 anos formado pelo ITA e colaborador na estruturação do projeto InovaSenior, a importância de profissionais experientes no mercado perpassa tanto pela bagagem curricular como por meio do compartilhamento de experiências.

"A gente tem mais experiência para compartilhar, já temos um acúmulo de erros ou de acertos e esse tipo de histórico ajuda muito no processo de tomada de decisão para que erros não sejam repetidos", defendeu.

Juliana Lopes, engenheira de produção formada pela USP em 2001 e empresária especializada em talentos seniores, complementa a observação . "A pessoa experiente tem essa habilidade de vocabulário e de comunicação mais desenvolvida. Então, usa uma ferramenta de inteligência artificial e já se comunica e já tem acesso a um histórico de determinado erro ou até de uma solução para um determinado problema".

O InovaSenior surge em contexto demográfico favorável para as projeções de longevidade. Segundo estimativas do IBGE o Brasil terá cerca de 75,3 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2070, representando 37,8% da população total.

Para o engenheiro Ricardo Pessoa, isso representa uma oportunidade única. "A gente tem o bônus da longevidade", afirma. "Muita coisa está acontecendo e os 60 são os novos 40. Tem muita energia para essas pessoas darem no processo produtivo."

Deficit elevado

Dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) apontam déficit de 75 mil engenheirosno país. Além disso, professoresde engenharia ouvidos pelo Correio  apontam que boa parte deseus alunos abandonam os estudos para trabalhar em áreas queoferecem salários maiores a jovens.“Muitos (alunos) saem no meiodo curso para trabalhar no mercado financeiro ou com alguma outra coisa que nada tem a ver comengenharia”, comentou Dorel Ramos, professor de engenharia elétrica na USP.

Além da questão econômica, o InovaSenior pretende combaterproblemas sociais relacionados aoenvelhecimento. “O que acontececom os caras que se aposentam aos60, 65 anos? Ele vai gradativamente se tornando invisível e completamente alienado. A consequênciadisso é depressão e morte”, alerta Pessoa.

O coordenador cita experiência pessoal para ilustrar o problema: conheceu pessoas que, apósse aposentarem, passaram a frequentar bares diariamente e nãoresistiram por mais de uma década a essa rotina.MetasO financiamento do projeto InovaSenior virá de doações dedutíveis do Fundo do Idoso, permitindo que empresas e pessoas físicasdirecionem parte do Imposto deRenda para a causa. A meta é captar até R$ 15 milhões em cincoanos.

Entre os objetivos iniciais estãoa capacitação de 200 engenheirosseniores nos três primeiros anos,desenvolvimento de 10 projetos deinovação com impacto tangível eengajamento de mais de 300 empresas parceiras. “O InovaSenior nasceu para transformar experiênciaem ativo estratégico para o país. Éum projeto que honra o passado,atua no presente e constrói o futuro”,afirmou Duperron Ribeiro, diretorda plataforma de ex-alunos da Escola Politécnica da USP (PoliAlumni).

Para Juliana Lopes, a iniciativa chega em um momento crucialpara a engenharia brasileira. “Nósqueremos criar um canal de divulgação para os nossos 60+ que elesmostrem com orgulho o que foi feito no Brasil, o que é feito através daengenharia, o que continuará a serfeito com a IA. A IA não vai matarengenharia, bem pelo contrário,ela precisa de mais gente pensantepara fazer coisas interessantes comuma tecnologia fácil.”

Rafael Rosa, vice-presidente daAEITA, resume a importância doprojeto: “É um movimento necessário diante da escassez de engenheiros habilitados no Brasil e dopotencial desperdiçado de milhares de profissionais experientesque ainda querem, podem e sãocapazes de contribuir”.

 


Fonte: correiobraziliense

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