Apesar de ter registrado redução da desigualdade nos últimos anos, o Brasil ainda continua sendo um país com muitas disparidades socioeconômicas espalhadas pelo território nacional. Conforme os resultados preliminares do Censo Demográfico 2022: Trabalho e Rendimento e Deslocamento para trabalho e para estudo, divulgado, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desigualdade de renda e de oportunidades persiste, e ela é maior no Distrito Federal.
Em 2022, 11,2% dos trabalhadores trabalhavam por uma remuneração que chegava, no máximo, a R$ 606 mensais, a metade do salário mínimo da época, de R$ 1.212 por mês. Mais de um terço (35,3%) dos que trabalhavam tinham remuneração aquém ou até o salário mínimo vigente.
Mas as desigualdades regionais continuam sendo marcadas pelo indicador. No Norte, o Gini chegou a 0,545, e, no Nordeste, a 0,541, enquanto o Sul teve o menor resultado, de 0,476. Conforme os dados preliminares do Censo de 2022 do IBGE, o Distrito Federal registrou o maior Índice de Gini entre as Unidades da Federação, atingindo 0,584, ou seja, maior distância entre ricos e pobres do país. O valor, porém, representa uma queda em relação ao Censo 2010, quando registrou 0,637.
Mas esse resultado ainda coloca o DF à frente de estados como Rio de Janeiro, que ficou em segundo lugar com 0,574. Em contraste, as menores desigualdades foram observadas no Sul do país, com Santa Catarina (0,452) e Paraná (0,482) registrando os valores mais baixos do indicador. Historicamente, o DF já apresentava índices elevados de concentração de renda domiciliar per capita — em 1991, o Gini era de 0,6203; em 2000, subiu para 0,6406; e em 2010, estava em 0,6370.
Com isso, a distribuição da pobreza extrema também é regionalmente concentrada. Enquanto 13,3% da população brasileira tinha rendimento domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo, essa proporção era mais alta nas regiões Norte (23,3%) e Nordeste (22,4%) e significativamente menor no Sul (5,4%).
As desigualdades não são apenas regionais, mas também por raça. A renda per capita das populações branca (R$ 2.207) e amarela (R$3.520) equivalia, em 2022, a quase duas ou três vezes o montante obtido pelas populações preta (R$1.198) e parda (R$1 190), sendo o rendimento de indígenas ainda mais baixo, apenas R$ 669 por pessoa por mês.
Quase um terço da população (31,8%) sobrevivia com até meio salário mínimo em 2022, que naquele ano era de R$ 1.212 mensais. Uma fatia de 13,3% dos brasileiros tinham rendimento domiciliar per capita médio de até um quarto do salário mínimo, proporção que subia a 23,3% no Norte e 22,4% no Nordeste.
A diferença nos rendimentos também é acentuada no recorte municipal. Em 520 dos 5.571 municípios do país, o que representa 9,3% do total, o rendimento nominal médio mensal de todos os trabalhos era inferior a um salário mínimo (R$ 1.212, em valores de 2022). Enquanto isso, apenas 19 municípios apresentavam um rendimento superior a R$ 4.848 – mais de quatro salários mínimos naquela época.
Em relação ao gênero, o rendimento mensal médio dos homens (R$ 3.115) superou o das mulheres (R$ 2.506) em 24,3%. Essa diferença se manifesta em todos os níveis de instrução. A maior disparidade ocorre entre aqueles com nível superior completo — R$ 7.347 para os homens e R$ 4.591 para as mulheres.
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O Censo 2022 investigou, pela primeira vez, o meio de transporte utilizado no deslocamento para o trabalho. O automóvel foi o principal meio de locomoção, com 22.575,481 (32,32%). Em seguida o ônibus, com 14.915,744 (21,35%), a pé, com 12.434,197 (17,8%) e a motocicleta, com 11.433,807 (16,37%).
As mulheres (16,7%) têm presença ligeiramente maior no trabalho em casa do que os homens (13,2%). Dos que levam mais de uma hora até duas horas para chegar ao trabalho, a maior parte são mulheres (50,9%). Em relação aos meios de transporte em Brasília, predomina o uso do carro, principal meio de locomoção para 46,3% da população ocupada que trabalha fora do domicílio — o segundo maior percentual do país, atrás apenas de Santa Catarina (48,0%). Em seguida, o ônibus aparece como o segundo modal mais usado, com 32,9%. Em números absolutos, são 523,9 mil pessoas que usam carro, 371,7 mil que utilizam ônibus, e 96,4 mil que vão a pé para o trabalho. (Com informações da Agência Estado)
Fonte: correiobraziliense
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