A Polícia Federal (PF) deve ampliar o escopo das investigações sobre a comercialização de títulos pelo Banco Master que ficaram fora da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A instituição financeira, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central no dia 18 após a PF deflagrar a Operação Compliance Zero, captou quase R$ 2 bilhões junto aos fundos de previdência de estados e municípios brasileiros.
No Rio de Janeiro, o Rioprevidência concentra a maior exposição entre os 18 entes federativos que investiram no Banco Master, somando R$ 970 milhões — quase metade do total aplicado. A proximidade desse volume chama ainda mais atenção porque, semanas antes da aquisição dos papéis oferecidos pelo Master, o fundo estadual passou por uma troca na diretoria de investimentos.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) também incluiu o caso na análise. Em relatório recente, antes da liquidação do banco, o tribunal havia apontado uma "notável coincidência" entre a nomeação de novos diretores do Rioprevidência e o início dos investimentos no Master, sugerindo possíveis alinhamentos internos que ainda precisam ser esclarecidos.
As duas frentes de investigação, da PF e TCE-RJ, agora, correm paralelamente e podem ampliar a responsabilidade de gestores públicos e operadores do mercado envolvidos no esquema.
O Rioprevidência vai receber R$ 560 milhões de um fundo administrado pela corretora do Master, em um resgate autorizado ainda antes da liquidação da instituição financeira. O montante será essencial para bancar a folha de novembro dos 242 mil aposentados e pensionistas do Estado do Rio, além da segunda parcela do 13º salário prevista para dezembro.
O fundo em processo de devolução é o Arena, que em maio somava R$ 1,1 bilhão aplicados majoritariamente em renda fixa. O depósito dos R$ 560 milhões deve ser concluído na próxima semana. Apesar de as investigações da Polícia Federal sobre a atuação do Master avançarem, o Rioprevidência ainda mantém recursos em outros dois fundos vinculados ao grupo.
O governo fluminense garantiu que, mesmo com a liquidação do Master, não há risco para os pagamentos de aposentados e pensionistas. Em nota, o Rioprevidência reiterou que "o pagamento dos aposentados não está comprometido". Para assegurar o equilíbrio das contas em 2025, a Secretaria Estadual de Fazenda deve aportar mais R$ 1,1 bilhão provenientes dos royalties do petróleo, valores que, desde janeiro, deixaram de entrar diretamente no caixa do instituto.
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Fonte: correiobraziliense
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