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Em sua fala, a economista resgatou o período de seu doutorado, nos anos 1990, quando estudou a articulação entre desenvolvimento regional e sistema financeiro num ambiente em que políticas públicas eram desmontadas e bancos de desenvolvimento enfrentavam forte descrédito internacional. “Era um momento pouco propício para defender política pública”, relembrou. Ainda assim, seu trabalho já buscava responder a uma pergunta que, segundo ela, continua atual: o que acontece quando o Estado se retira da engrenagem econômica?
Ela citou o chamado efeito de vetor na literatura econômica, no qual investimentos em uma região aumentam produtividade e competitividade, gerando um ciclo de reforço. “Quem já está na frente permanece na frente. Quem está atrás, sem mecanismos corretivos, fica ainda mais distante”, afirmou. Para a professora, a ideia de que o capital migraria espontaneamente para regiões mais pobres por causa da maior produtividade marginal “tem aderência histórica bastante limitada”.
Políticas implícitas
Adriana Amado destacou ainda que a inflexão observada no Nordeste a partir dos anos 2000 tem relação direta com políticas públicas que, embora não tivessem desenho regional explícito, produziram forte impacto territorial. Ela citou a teoria das “políticas implícitas e explícitas”, amplamente difundida pela economista Tânia Bacelar.
Um exemplo é o Bolsa Família, que “gera demanda simples e local”, com baixo componente importado, fortalecendo economias regionais. Quando articulado a políticas como o apoio à agricultura familiar, o efeito multiplicador é ampliado. “É a transversalidade que potencializa os resultados”, explicou a especialista.
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