11 de Março de 2026

Plano de recuperação do Grupo Pão de Açúcar prevê impacto de R$ 4,5 bilhões


Em meio a uma crise que ficou mais evidente nos últimos anos, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou aos investidores, por meio de fato relevante publicado nesta terça-feira (10/3), que houve um acordo unânime do Conselho de Administração da empresa para a apresentação de um plano de recuperação extrajudicial. De acordo com o GPA, que detém o controle da rede de supermercados de mesmo nome, o impacto total deve chegar a R$ 4,5 bilhões.

O plano prevê que a companhia deixe de cumprir com obrigações de pagamento sem garantia pelo prazo de 90 dias, com o objetivo de recuperar a saúde financeira da empresa. Esse valor, no entanto, não deve prejudicar o pagamento de obrigações trabalhistas, assim como os compromissos com fornecedores, parceiros e clientes do grupo.

Durante os três meses de vigência do plano, o GPA espera “chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo”. No último balanço divulgado pelo grupo, referente ao quarto trimestre de 2025, o Pão de Açúcar teve um prejuízo de R$ 572 milhões, acima do esperado pelo mercado, apesar de ainda estar 48,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

Um dos pontos mais preocupantes em relação à saúde financeira da empresa é a dívida com credores, que permanece em torno de R$ 4 bilhões, como no ano passado. Apesar de ter chegado a R$ 6 bilhões em 2023, o patamar ainda é bastante elevado, principalmente em um cenário de taxa de juros elevada, que dificulta ainda mais o pagamento do saldo devedor.

Para o especialista em gestão patrimonial e de investimentos da Armada Asset, Juliano Lara Fernandes, o plano apresenta números factíveis se comparado a outros exemplos de empresas que seguiram por esse caminho. A recuperação extrajudicial é uma estratégia para evitar a burocracia da justiça além de geralmente ser uma via mais rápida.

Desafio maior

Apesar disso, Fernandes alerta que os números ainda são desafiadores a curto prazo, já que R$ 1,7 bilhões das dívidas da empresa já vencem no próximo mês de julho, além de se tratar de uma empresa com fluxo de caixa operacional anual de aproximadamente R$ 650 milhões e um patrimônio líquido de R$ 2,1 bilhões, de acordo com o último balanço da empresa.

“A saída parece necessitar de levantamento de capital adicional que viria de dois acionistas significativos atuais que detêm 24,5% e 16% da empresa. Para isso, estes acionistas aumentariam seu controle da empresa, mas precisam antes eliminar a ‘poison pill’ (mecanismo que protege acionistas em mudanças de controle de uma companhia) que os obriga a recomprar todas as ações da empresa se ultrapassarem os 25% de controle”, avalia.

O especialista acredita que essa decisão deve ser debatida na próxima Assembleia Geral Extraordinária, marcada para o dia 27 de março. De acordo com o GPA, o plano divulgado nesta terça-feira foi celebrado no CA e entre os principais credores, titulares de 46% do total de créditos sujeitos ao plano, o que equivale a R$ 2,1 bilhões e representa um percentual superior ao quórum mínimo legal de 1/3 (um terço) dos créditos afetados.

Fonte: correiobraziliense

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