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'Quanta gente se faz de autista nível 1?', questiona médico no Roda Viva - Social Marília
23 de Abril de 2026

'Quanta gente se faz de autista nível 1?', questiona médico no Roda Viva


Uma declaração do neuropediatra José Salomão Schwartzman durante entrevista ao Roda Viva, na última segunda-feira (6/4), gerou repercussão e reacendeu o debate sobre o aumento de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista. Ao comentar a ampliação de casos classificados como nível 1 de suporte, o especialista afirmou: “Quanta gente se faz de autista nível 1 para obter as benesses que isso traz? Possivelmente, muita gente”.

A fala foi feita no contexto de uma análise sobre a falta de critérios objetivos para o diagnóstico do autismo. Segundo Schwartzman, a ausência de marcadores laboratoriais e a subjetividade clínica podem levar a enquadramentos imprecisos, especialmente nos casos mais leves do espectro.

Durante a entrevista, o médico destacou que o crescimento no número de diagnósticos está concentrado justamente no nível 1 de suporte, considerado o grau mais leve dentro do espectro. “O limite entre alguém com autismo nível 1 e uma pessoa apenas pouco sociável ou com características específicas é muito pequeno. Depende até do médico”, afirmou.

Schwartzman também questionou o modelo atual de classificação do TEA, sugerindo que o conceito de “espectro” pode estar abrangendo condições distintas sob uma mesma definição. “Hoje você não tem um grupo homogêneo. Você tem um conjunto de situações diferentes com o mesmo nome”, disse.

O neuropediatra defendeu que o avanço das pesquisas deve priorizar a criação de ferramentas diagnósticas mais precisas. “Enquanto você não tiver marcadores objetivos, como exames genéticos ou de neuroimagem, vai continuar havendo dúvidas sobre quem realmente se enquadra no diagnóstico”, afirmou.

Ele também mencionou possíveis mudanças futuras no DSM, que pode passar a incorporar exames complementares para refinar os critérios. Diretrizes da Organização Mundial da Saúde e da Classificação Internacional de Doenças já consideram níveis de suporte e funcionalidade, mas ainda enfrentam desafios na padronização diagnóstica.

Fonte: correiobraziliense

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