12 de Junho de 2026

Quem era a princesa tailandesa morta após mais de 3 anos em coma — e o dilema que deixa sobre futuro da monarquia no país


A princesa tailandesa Bajrakitiyabha, que estava em coma há mais de três anos, morreu, anunciou a família real da Tailândia. Ela tinha 47 anos.

Ela desmaiou em dezembro de 2022 enquanto se exercitava com seus cães. Seus médicos atribuíram o desmaio a um batimento cardíaco gravemente irregular, causado por uma infecção por micoplasma no coração.

Com sua morte, a família real tailandesa perdeu seu membro mais carismático e que poderia ter desempenhado um papel fundamental em uma sucessão ainda pouco clara.

Nascida em 7 de dezembro de 1978, ela era a mais velha dos sete filhos do rei Vajiralongkorn com sua primeira esposa e prima, a princesa Soamsawali.

"A equipe médica prestou os cuidados mais intensivos possíveis, mas seu quadro continuou se deteriorando progressivamente", informou o palácio em comunicado na manhã de sexta-feira. Ela morreu no dia anterior, no Hospital Chulalongkorn.

A princesa era formada em Direito com dois diplomas de pós-graduação pela Cornell University, nos EUA. Ela trabalhou brevemente na missão tailandesa junto às Nações Unidas em Nova York, antes de retornar à Tailândia para atuar nos escritórios do procurador-geral em Bangcoc e em outras partes do país.

De 2012 a 2014, ela foi embaixadora da Tailândia na Áustria, onde estabeleceu um relacionamento com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Lá, ela passou a falar sobre a necessidade de reforma penal, com foco especial em mulheres vulneráveis que acabam na prisão. A Tailândia tem um dos maiores números de mulheres encarceradas no mundo.

De volta à Tailândia, ela se tornou embaixadora do UNODC para o Estado de Direito no Sudeste Asiático e continuou defendendo a reforma do sistema de justiça criminal do país, no qual penas severas são frequentemente impostas a pessoas condenadas por acusações relativamente leves de posse de drogas.

Em 2021, seu pai a nomeou chefe de gabinete de sua guarda pessoal, concedendo-lhe o posto de general.

A princesa Bajrakitiyabha também era entusiasta de exercícios físicos e frequentemente participava de corridas de longa distância.

Suas habilidades e a confiança que seu pai aparentava ter nela a tornaram um tema inevitável de especulação sobre a sucessão real.

O rei Vajiralongkorn, que tem 73 anos, ainda não nomeou um herdeiro. O costume tailandês determina que o herdeiro seja do sexo masculino, mas uma emenda de 1974 à Constituição permite que uma mulher assuma o trono.

O rei tem cinco filhos homens, mas quatro, de seu segundo casamento, foram deserdados em 1996 e desde então vivem com a mãe nos EUA. Seu quinto filho, Dipangkorn, de seu terceiro casamento, é o herdeiro presumido, embora tenham sido levantadas dúvidas sobre sua capacidade de exercer o papel de monarca, em um país onde a instituição real exerce muita influência.

Para muitos monarquistas tailandeses, a princesa Bajrakitiyabha parecia a figura mais promissora para suceder seu pai, seja como rainha ou como princesa regente para ajudar o príncipe Dipangkorn.

Sua morte deixa a questão da sucessão na Tailândia sem resposta, e a severidade da lei de lesa-majestade do país impede qualquer debate público sobre o tema.

Fonte: correiobraziliense

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