Uma unidade do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) em São Paulo registrou um incidente com material radioativo envolvendo dois trabalhadores.
O incidente aconteceu em 29 de maio e foi confirmado na quinta-feira (11/6) à noite pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O prédio do Ipen fica no campus da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo nota da CNEN, o episódio envolveu a presença de traços de tecnécio-99 durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave, um equipamento utilizado na produção de radiofármacos, medicamentos usados em exames para diagnósticos ou de forma terapêutica, para o tratamento de tumores.
O incidente aconteceu no Centro de Radiofarmácia do instituto, que desenvolve e fornece uma linha abrangente de radiofármacos essenciais para diagnóstico por imagem e terapias oncológicas, atendendo hospitais, clínicas e centros de pesquisa em todo o território nacional.
"O incidente envolveu dois trabalhadores — Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs) — os quais foram submetidos a exames in vivo (Contador de Corpo Inteiro)", afirma a nota da CNEN.
"As contagens detectadas foram baixas e demonstraram que não houve contaminação interna. A contaminação ficou restrita à área controlada, do Centro de Radiofarmácia do Instituto."
O Ipen fornece radiofármacos a 430 clínicas e hospitais em todo o país, contribuindo para 2 milhões de procedimentos médicos anuais, muitos deles relacionados ao diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer.
O relatório de ocorrência interna que trata desse incidente seguiu para análise da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
A ANSN afirmou em nota que a Radiofarmácia do Ipen possui autorização de operação vigente.
"Como parte das atividades regulares de supervisão e acompanhamento regulatório das instalações licenciadas, foi expedida notificação com prazo até 18 de junho de 2026 para atendimento às exigências formuladas", diz a nota da ASNS.
"A notificação garante à instalação o exercício do contraditório e da ampla defesa, sendo que eventuais medidas adicionais dependerão da análise técnica das informações e documentos apresentados pelo Ipen."
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP), os casos vieram à tona depois que o sindicato e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) encaminharam à direção do instituto e à CNEN um pedido de informações oficiais sobre a ocorrência e as medidas adotadas.
O tecnécio — símbolo químico Tc na tabela periódica — é um metal radioativo cinza-prateado.
Segundo a agência americana de proteção ambiental (EPA, na sigla em inglês), o tecnécio ocorre naturalmente em quantidades muito pequenas na crosta terrestre, mas é produzido principalmente em laboratório.
O tecnécio-99 é produzido durante a operação de reatores nucleares e é um subproduto de explosões de armas nucleares.
O tecnécio-99m é uma forma de Tc-99 de vida curta, utilizada como ferramenta de diagnóstico médico. Ele não permanece no corpo ou no meio ambiente por muito tempo.
O tecnécio-99m é o isótopo médico mais utilizado no mundo como marcador radioativo para diagnósticos de doenças.
A substância é injetada nos pacientes. Câmeras especiais ajudam a formar uma imagem a partir do tecnécio presente no corpo.
Fonte: correiobraziliense
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