Um medicamento já licenciado e usado para tratar a constipação crônica pode beneficiar pessoas com depressão que sofrem com perda de memória ou dificuldade de concentração. O problema, conhecido como “névoa mental”, é comum em transtornos mentais.
A descoberta foi publicada no periódico Psychological Medicine por uma equipe de pesquisadores liderada por Angharad de Cates, da Universidade de Birmingham, em parceria com colegas da Universidade de Oxford.
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O estudo experimental investigou se um tipo de laxante, a prucaloprida, poderia tratar problemas cognitivos. Esse medicamento estimula um receptor específico de serotonina, o 5-HT4R, presente tanto no intestino quanto no cérebro.
O ensaio clínico contou com 50 pacientes com histórico de depressão, com idades entre 18 e 40 anos. Os participantes já haviam superado ao menos dois episódios depressivos, estavam sem medicação e recuperados do último episódio há pelo menos seis meses.
Eles foram divididos aleatoriamente para receber 2 mg de prucaloprida ou um placebo por um período de 7 a 10 dias. Antes e depois do tratamento, todos passaram por uma série de testes cognitivos para avaliar memória, função executiva e cognição emocional.
A equipe de pesquisa observou que os pacientes que receberam o laxante apresentaram maior precisão e rapidez nos testes após a administração do medicamento. Nas tarefas que avaliam memória e funções executivas, as pontuações do grupo que tomou prucaloprida foram mais precisas (z=+0,59) e com tempos de resposta mais rápidos (z=-0,69) em comparação com o grupo placebo.
Durante o estudo, não foram observados efeitos colaterais significativos. Os participantes também não apresentaram queixas gastrointestinais graves, já que a prucaloprida estimula suavemente os movimentos intestinais.
Segundo Angharad de Cates, a “névoa mental” é uma característica importante e muitas vezes negligenciada da depressão. “Nosso estudo sugere que um medicamento direcionado ao receptor de serotonina 5-HT4 pode melhorar o funcionamento cognitivo em pessoas com histórico de depressão”, afirmou.
Os testes cognitivos utilizados incluíram:
uma tarefa de aprendizagem e memória verbal auditiva;
uma tarefa de memória de trabalho (N-back);
testes de funções executivas, como atenção e velocidade de processamento.
A professora Susannah Murphy, da Universidade de Oxford, destacou que a recuperação da depressão é frequentemente incompleta devido a dificuldades de memória e concentração. “Este estudo fornece evidências de que os agonistas do receptor 5-HT4 podem ajudar a restaurar aspectos da função cognitiva, abrindo uma nova direção para o desenvolvimento de tratamentos”, disse.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
Fonte: correiobraziliense
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