12 de Março de 2026

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira medicação injetável para o tratamento da obesidade no Brasil.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira medicação injetável para tratar a obesidade que deve ser aplicada uma vez por semana. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira, 2. A caneta de semaglutida (2,4 mg), já aprovada para o tratamento do diabete tipo 2 no Brasil, mas em dosagem menor, tem sido utilizada com sucesso em outros países, como Estados Unidos e Canadá. É recomendado que o tratamento com a substância seja feito com supervisão médica. O hormônio consiste em um agonista do receptor de GLP-1 que sinaliza ao cérebro a sensação de saciedade. Estudos mostram que o uso da semaglutida pode levar a uma perda de peso de cerca de 17% em adultos em um pouco mais de um ano. A aplicação é subcutânea e já é testada por pesquisas científicas.

Há cerca de um ano, o Estadão noticiou que o método de tratamento do diabete com a caneta de semaglutida se revelou eficaz no combate à obesidade. Um estudo publicado em março de 2020 no The New England Journal of Medicine apontou que, quando combinada a uma dieta equilibrada e ao aumento da atividade física, a dosagem semanal de 2,4 mg de semaglutida proporcionou uma perda média de peso de 15,2% em comparação com 2,6% no grupo placebo. A dosagem utilizada para o tratamento da obesidade é quase o dobro dos 1,3 mg utilizados para tratar o diabete tipo 2. Como resultado, a caneta, conhecida comercialmente como Wegovy, foi aprovada pela agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) para o tratamento do sobrepeso e da obesidade. Também recebeu aval da Europa e do Canadá.

Estudos recentes da Novo Nordisk, fabricante da caneta de semaglutida, mostram que pacientes que usaram a substância apresentaram uma perda média de peso de 17% em um pouco mais de um ano, enquanto o grupo placebo teve uma perda média de 2,4%. O médico endocrinologista Paulo Miranda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), afirma que essa medicação "chega com estudos demonstrando a maior potência em termos de redução porcentual do peso". Embora os estudos não tenham mostrado efeitos colaterais graves, alguns eventos gastrointestinais, como náusea e vômito, foram relatados, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico. Miranda também afirma que, em geral, a medicação é bem tolerada, pois os efeitos colaterais são reversíveis com a redução da dose ou a suspensão da medicação. Os resultados não têm mostrado efeitos adversos graves ou de maior preocupação.

A endocrinologista destaca que o tratamento com a caneta de semaglutida deve ser combinado com outras ações, pois o medicamento pode auxiliar na mudança de estilo de vida, mas nunca deve ser encarado como um tratamento isolado. Ela enfatiza que a obesidade é um problema de saúde pública tão grave que a caneta pode ser vista como uma arma a mais no combate ao problema, junto com outras medidas já existentes. De acordo com o Atlas da Obesidade, cerca de 30% da população brasileira deve ter obesidade até 2030. Atualmente, estima-se que aproximadamente 41 milhões de pessoas (20% da população) convivam com a obesidade. A nutricionista esportiva Renata Brasil afirma que a caneta de semaglutida é eficaz para a redução da gordura corporal, mas alerta que a substância, já disponível em farmácias para pacientes com diabete em uma dosagem diferente e a um preço de quase R$ 1 mil por mês, tem sido utilizada de forma indevida.

A caneta de liraglutida, também produzida pela Novo Nordisk, foi aprovada pela Anvisa em 2016 para o tratamento da obesidade. Ela é aplicada diariamente, diferentemente da semaglutida, que é aplicada uma vez por semana. Embora não haja estudos comparativos sobre a eficácia dessas duas substâncias para o tratamento da obesidade, uma pesquisa realizada pela farmacêutica dinamarquesa apontou que a Saxenda pode diminuir a massa corporal em até 8% após um ano de administração, índice menor do que o observado com a semaglutida. Essas informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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