13 de Março de 2026

Há algo de muito errado nas finanças do Governo Federal. Uma importação desnecessária?


(Imagem ilustrativa) Foto: Pixabay

O Brasil atingiu, segundo os jornais da última semana, cifra superior a R$ 1 trilhão da dívida pública. O arcabouço fiscal faz água e as previsões para cima (déficit futuro) crescem; por enquanto, com a promessa de que o superávit pretendido apenas ficará menor.

Roberto Campos ironizava, no passado, que as promessas dos detentores do Poder comprometiam apenas as pessoas que as ouviam. No caso, os economistas do mercado, pois são realistas, sabem que dificilmente as promessas do governo Lula sobre o arcabouço serão mantidas.

O certo é que o governo não tem merecido a confiança do empresariado brasileiro, circulando nos jornais no início do mês uma nota de repúdio das cinco mais fortes confederações de empresários (agricultura, comércio e serviços, indústria, cooperativa e transporte) à negativa de créditos legítimos que as empresas têm de PIS/Cofins para compensar a desoneração da folha de serviços negociada com o Legislativo e desrespeitada com a Medida Provisória nº 1.202/2023, que o Congresso Nacional devolveu ao governo.

Desde o último dia 12, o dólar oscila entre R$ 5,40 a R$ 5,52 e a Bolsa caiu quase dois pontos percentuais. Pesou neste cenário a fala do presidente que prometeu aumento de tributação e queda de juros, o que afetaria o único instrumento atual de combate à inflação, que é a política monetária.

Nesse quadro, resolveu o governo, com a catástrofe climática do Rio Grande do Sul, importar arroz. A Confederação Nacional da Agricultura, todavia, mostrou a desnecessidade da importação, pois mais de 4/5 da safra do Rio Grande do Sul já tinha sido colhida e o risco de desabastecimento é rigorosamente nenhum.

Transcrevo trecho do livro que escrevi com Samuel Hanan, que demonstra a importância do agronegócio para o Brasil e a equivocada visão governamental:

“Agrobusiness brasileiro (2023)

– 26 a 30% do PIB Brasil (+ 600 bilhões de dólares) (2.130 bilhões de dólares);

– 49 a 50% das exportações brasileiras (166,55 bilhões de dólares);

– 150% do saldo da balança comercial (150 bilhões de dólares) – saldo Brasil: 98,84 bilhões de dólares;

– 30% dos empregos formais;

– 40% da produção mundial de soja (complexo);

– 50% da produção mundial de açúcar;

– 30% da produção mundial de café;

– 80% da produção mundial de suco de laranja;

– 25% da produção mundial de carne bovina;

– 30% da produção mundial de carne de frango.

Brasil = Potência mundial de produção de alimentos. BRASIL: 2,6% da população mundial” (Fonte: Brasil – Que país é esse? – Editora Valer, pg. 41).

Ora, no momento em que o governo resolve comprar no exterior arroz que temos, à evidência prejudica empregos e empresas brasileiras que poderiam fornecer o produto.

A reação do setor do agronegócio tem sido, pois, coerente e imediata. Explicam, à exaustão, a desnecessidade da importação, mostrando que o governo gastaria dinheiro que não tem, levando em consideração sua dívida e, por outro lado, prejudicaria empregos de produtores e comerciantes de arroz que tradicionalmente atuam no país.

O governo, todavia, fez o primeiro leilão e empresas sem nenhuma tradição no mercado e sem força econômica suficiente ganharam, o que o obrigou a cancelá-lo, por pairar ainda a suspeita de ilicitude no pregão.

A grande questão que se coloca é a seguinte: se não temos dinheiro para gastar num arcabouço fiscal cada vez mais inconfiável, se o governo não precisaria importar porque tem arroz suficiente para o Brasil, se nossa dívida chegou a mais de R$ 1 trilhão, por que importar arroz, vale dizer, queimar divisas para comprá-lo no exterior?

Não gostaria de lembrar Shakespeare, embora pertença à Academia William Shakespeare, mas que há algo de muito errado nas finanças do Governo Federal, não há dúvida de que há.

Fonte: plenonews

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