À base de remédios e muito abalada, Mariana Cardim de Lima compareceu à 16ª DP na segunda-feira (8) para ser ouvida sobre o atropelamento de João Gabriel Cardim Guimarães pelo modelo Bruno Krupp. Falou por quatro horas, em conversa que precisou ser interrompida três vezes por causa da forte emoção.
A TV Globo e o G1 tiveram acesso ao depoimento, que revela um encontro entre as mães poucas horas após o acidente. Foi na porta do Hospital Municipal Lourenço Jorge, para onde ambos foram levados após serem socorridos pelos bombeiros.
Mariana contou que, enquanto esperava notícias da cirurgia do filho, recebeu um abraço e um terço da, mãe de Bruno Krupp, Paula Christina Fernandes Moreira.
“Por volta das 2h30m do dia 31 de julho, passou por uma mulher, a qual estava chorando, e resolveu dar um abraço nesta mulher, quando ouviu desta: ‘Me desculpe’. Que, neste momento, percebeu que esta mulher era a mãe do motorista da motocicleta que atropelou seu filho, tendo, esta, inclusive, lhe dado um terço de oração”, diz trecho da declaração dada na delegacia.
Mariana conta que uma outra parente de Krupp também falou com ela, no mesmo local. Pegou seu número de telefone e disse que era para familiares manterem contato, que segundo Mariana nunca foi feito.
Mariana também lembrou que tentava acalmar João para ele não ver que estava sem perna, que os dois rezaram juntos e que o filho que acabou acalmando a mãe dizendo: ‘
"Mãe, vai dar tudo certo. Eu vou sair dessa”, disse.
“Que João Gabriel era filho único de seus pais e único neto de ambos os lados da família; que mãe e filho eram os melhores amigos, e tinham o ‘hobbie’ de passar todo tempo em que estavam juntos vendo filmes e ‘maratonando’ séries; que João tinha alguns sonhos, dentre eles: tirar habilitação e comprar uma van para levar sua família (que é grande) para viajar; e ser programador e desenvolvedor de jogos digitais de RPG, inclusive estava fazendo curso de computação gráfica, aos sábados.”
“Que atravessaram a primeira pista tranquilamente da avenida Lúcio Costa, passaram pelo canteiro central, e, no momento em que foram atravessar a outra, viram os faróis dos carros longe e parados no sinal; que no momento em que estavam atravessando a segunda pista, a declarante escutou um barulho de motocicleta muito alto e se assustou, tendo a declarante parado, mas como João Gabriel já estava próximo da calçada, correu para acessá-la, momento em que a motocicleta, em alta velocidade, atropelou seu filho.”
“Que, por volta das 4h, uma mulher, de uns 19 anos, disse ser familiar do motorista da motocicleta e disse que este havia tido alta do hospital Lourenço Jorge, pedindo o telefone da declarante para passar para seus familiares para manterem contato, tendo a declarante lhe passado seu telefone; que, por volta das 5h, teve a notícia de que no momento em que João Gabriel estava em cirurgia, este teve uma parada cardíaca e veio a falecer; que neste momento a declarante diz que seu mundo desabou. ”
“A declarante não teve condições psicológicas de voltar ao local do acidente e muito menos a sua residência, visto que tudo lembrava seu filho; que desde então, a declarante afirma que está morando na casa de uma de suas tias, não sabendo quando irá voltar para casa e se conseguirá voltar para esta.”
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