
Nos últimos dias, eleitores de Lula espalharam que o petista não odeia os cristãos e que, inclusive, é cristão. Um dos argumentos usados é que ele e Dilma sancionaram alguns projetos de lei que estabelecia alguns dias para os cristãos.
De fato, eles fizeram isso e a relação com evangélicos e católicos, no primeiro momento, com o PT, não foi ruim. Isso é tão verdade que há pastores parlamentares que hoje apoiam Bolsonaro, mas que no passado faziam parte da base de apoio do PT. Marcelo Crivella, por exemplo, já foi ministro de governos petistas.
Era importante ter o apoio de lideranças evangélicas por dois motivos: o número desses fiéis estava crescendo muito no paÃs e eles faziam, em sua maioria, parte do grupo econômico que o PT desejava conquistar.
Naquele tempo, os cristãos não tinham ideia do que era o PT, nem de sua filosofia socialista. Talvez você, como eu, acreditou por um perÃodo que o PT se importava apenas com as pautas econômicas.
Não sei se esconderam muito bem as suas intenções ou se mudaram com o tempo (vou assumir essa tese no texto), mas hoje o PT e a esquerda que o apoia não é a mais a mesma de 20 anos atrás. Houve uma mudança tardia que para explicar, preciso voltar no tempo.
Após a 1ª e a 2ª guerras mundiais, diversos intelectuais de esquerda repararam um fenômeno interessante: o proletariado, no geral, não queria fazer revolução, mas sim desfrutar dos confortos capitalistas. No Ocidente, exceto Cuba (onde o povo foi enganado por Fidel Castro), nenhum paÃs aderiu ao socialismo. Onde estaria o erro?
Esses intelectuais de esquerda, aqueles da Escola de Frankfurt, entenderam que a revolução deveria ser na cultura e lançaram a Teoria CrÃtica, onde tudo, mas absolutamente tudo, deveria ser questionado. A famÃlia, a religião, o sexo, o casamento, a relação entre homem e mulher, a questão racial, o cinema, a arte e tudo, mas absolutamente tudo, foi criticado por eles.
Essas crÃticas tiveram alguns filhos como a Revolução Sexual, Teologia da Libertação, a segunda e a terceira ondas do feminismo, a ideologia de gênero, as polÃticas de desencarceramento, a polÃtica pró-drogas etc. Tudo criado com o objetivo de mudar a sociedade rumo ao socialismo.
Na maior parte dos governos petistas, essas pautas não foram debatidas tão fortemente, apesar de entrarem de forma mais sorrateira no debate público por meio dos governos Lula/Dilma e de suas militâncias. Acreditava-se que as ações petistas visavam apenas o campo econômico, mas nos últimos dez anos a esquerda mudou, mas foi tanto que o cantor Mano Brown, em 2018, criticou o PT por ter se afastado de suas bases.
Hoje, o PT e a esquerda falam apenas de temas culturais. PolÃticas pró-emprego ou auxÃlios financeiros não são mais debatidos, mas apenas questões que tangem à cultura. Isso porque houve uma mudança tardia na esquerda brasileira. Se antes o foco era a questão econômica, hoje a questão é cultural.
E é aà que Lula esbarra com os cristãos. Lula é a favor do aborto, o que por si só já deveria afastá-lo dos cristãos, e a maior parte de sua base defende uma agenda revolucionária cultural contrária aos princÃpios cristãos como a ideologia de gênero, o feminismo etc.
Pode até ser que Lula não feche igrejas, mas o seu governo certamente fomentará uma revolução cultural, cujos princÃpios são contrários à fé cristã.
Por fim, uma reflexão. Daniel Ortega, ditador da Nicarágua, está perseguindo a Igreja Católica. Se Lula é tão cristão assim, por que ainda não se manifestou contra o seu amigo?
Talvez o candidato, que a imprensa diz ser o da democracia, não seja tão democrático assim e muito menos cristão.
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Fonte: plenonews
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